Opinião: Política “de Verdade”?

6-ulissesguimaraesUm estranho fenômeno vem ocorrendo nas ruas e meandros de Brasilia nos últimos tempos. A política – diz-se – está de volta.

Quando comemoramos 100 anos do saudoso Doutor Ulysses, vemos com certa desconfiança mas ainda assim com esperança o ressurgir do que se chama por aí de “Política de Verdade”. Política como ela deve ser feita. Política – se pode-se dizer algo assim – honesta.

Não é 100%. Isso é óbvio. Depois de décadas de exploração, conchavos, propinas, troca de favores seria muito esperar-se que nosso país voltasse de um momento ao outro a ser ‘honesto’. Mas é um começo.

Um bom exemplo do que estamos falando pode-se ver na aprovação da PEC 241 nessa segunda feira, em primeira votação.

O presidente Michel Temer marcou no domingo à noite um jantar com os deputados da sua base. Sim, todos os 300 e tantos deputados da sua base. Com esposas e esposos. Além do belo cardápio, trouxe à mesa dois renomados professores para explicarem e esclarecerem dúvidas sobre a PEC 241. Não se sentou para comer até ter conversado, abraçado e tirado selfies com todos. Como disse um deputado, embevecido, na manhã seguinte: “O glamour voltou. Havia cheiro de nostalgia no ar”.

E que não pensem que ele se referia apenas à comida. O fato é que durante todo o tempo que o PT ficou no poder, não houve entendimento entre um presidente e sua chamada “base aliada”. Houve troca de dinheiro, troca de favores, propinas, troca de cargos. Tudo menos conversa. E – agora lembrando o saudoso Dr. Ulysses – “a política é arte da conversa”. Temer não comprou o apoio de sua base aliada. Ele a convenceu. E fez um trabalho tão bom, mas tão bom, que convenceu até mesmo a oposição!

Pois não votaram a favor da PEC 241 deputados como Silvio Costa (PTdoB), opositor ferrenho do Governo Temer, a quem ainda chama de golpista? Por quê? Porque felizmente Silvio Costa também faz política de verdade. Porque independente de gostar ou não do Governo, assume que a PEC é uma das poucas saídas para tentar colocar em ordem a meleca que o PT fez nas contas do nosso combalido país. Políticos como Silvio Costa provam que a política existe, sim, e mais – que Michel Temer está fazendo um bom trabalho tentando segui-la.

Conversa, bate papo, corpo a corpo, convencimento. As armas de um bom político.

Impossível esperar que a corrupção não mostre ainda sua cara feia. Dentro ou fora do Governo Temer, muitos ainda cairão sob a mira da Lava Jato – e DEVEM cair. Impossível michel-temerimaginar que qualquer integrante do PMDB tenha suas mãos totalmente limpas – afinal dormiram junto com o PT por anos, sabe o que se diz de quem dorme com criança. Mas uma tênue esperança se faz no ar. Uma leve brisa, reconhecida por quem frequenta o mundo de Brasilia.

Nas palavras de Gerson Camarotti, exímio jornalista político da Globo News em 20 anos, nunca se viu um presidente fazer uma movimentação como essa para aprovar uma PEC. O fato é que Temer assumiu as articulações como um verdadeiro líder deve fazer. Exonerou três de seus ministros para que esses voltassem a seus cargos de deputados e marcassem presença – que nem era necessária numericamente, mas passava uma mensagem – na votação.  Venceu e convenceu. O que lhe falta de carisma público, lhe sobra de talento político.

Que seja apenas o começo Camarotti. Que seja apenas o começo. O Brasil necessita da boa política.

Olhai por nós, Dr Ulysses.

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