Ministro da Transparência: Kaput

E as gravaçōes de Sergio Machado continuam fazendo vítimas. Durante o feriado foi divulgada mais uma parte da delação premiada do ex-presidente da transpetro. Dessa vez a gravação incluía Renan Calheiros, dois advogados de Renan, Sergio Machado e Fabiano Silveira, na época integrante do Conselho Nacional de Justiça.

Na gravação eles discutem e criticam a Lava Jato e Fabiano orienta os acusados sobre como se comportar em relação à Procuradoria Geral da República. Também fica claro que Fabiano teria procurado integrantes da força-tarefa para tentar conseguir informaçōes sobre as investigaçōes.

A divulgação do áudio causou mau estar para a presidência e revolta em vários setores. O presidente interino Michel Temer, após ter conversado com Fabiano e ouvido dele que não havia outros áudios, concluiu que o caso não era “tão grave” como o de Jucá e anunciou que ele ficaria no ministério. Essa decisão equivocada causou protestos e inclusive uma reação da Transparência Internacional.

No começo da noite dessa segunda feira, Fabiano divulgou sua carta de demissão, que se segue:

Recebi do Presidente Michel Temer o honroso convite para chefiar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. 

Nesse período, estive imbuído dos melhores propósitos e motivado a realizar um bom trabalho à frente da pasta. 

Pela minha trajetória de integridade no serviço público, não imaginava ser alvo de especulações tão insólitas. 

Não há em minhas palavras nenhuma oposição aos trabalhos do Ministério Público ou do Judiciário, instituições pelas quais tenho grande respeito. 

Foram comentários genéricos e simples opinião, decerto amplificados pelo clima de exasperação política que todos testemunhamos. Não sabia da presença de Sérgio Machado. Não fui chamado para uma reunião. O contexto era de informalidade baseado nas declarações de quem se dizia a todo instante inocente. 

Reitero que jamais intercedi junto a órgãos públicos em favor de terceiros. Observo ser um despropósito sugerir que o Ministério Público possa sofrer algum tipo de influência externa, tantas foram as demonstrações de independência no cumprimento de seus deveres ao longo de todos esses anos. 

A situação em que me vi involuntariamente envolvido – pois nada sei da vida de Sérgio Machado, nem com ele tenho ou tive qualquer relação – poderia trazer reflexos para o cargo que passei a exercer, de perfil notadamente técnico. 

Não obstante o fato de que nada atinja a minha conduta, avalio que a melhor decisão é deixar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. 

Externo ao Senhor Presidente da República o meu profundo agradecimento pela confiança reiterada. 

Brasília, 30 de maio de 2016. 

Fabiano Silveira

O secretário-executivo, Carlos Higino Ribeiro Alencar, assume a pasta interinamente. E fica a sensação que Temer poderia ter lidado melhor com essa crise e evitado o desgaste – maior – que sofreu por conta de tentar manter o ministro na pasta.

Agora a pergunta é: quantos outros ministros ainda vão cair com essa delação?

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