Fim: Ensinamos o Mundo o que é Saudade

Olimpíadas-2016Controversa. Assim começou essa edição dos Jogos Olímpicos. Muitos – incluindo euzinha – discordavam da idéia de se fazer um outro evento mundial nesse momento, tão cedo após a famigerada Copa do 7×1 e na corrente situação econômica. Muitos – incluindo eu – achavam que o dinheiro gasto em todas as obras e preparativos teria sido melhor aplicado na saúde, educação, na tentativa de restabelecer os empregos e a situação que se perderam no nosso sofrido país.

Mas não havia nada o que fazer. Estava marcado, não tinha como voltar atrás.

E sendo assim, bora lá fazer uma Olimpíada pro mundo ver.

E fizemos.

Não interessa se o Rio estava praticamente falido, se o Governo Federal teve que injetar dinheiro, se a Força Nacional teve que trabalhar em dobro pra garantir a segurança dos milhões de turistas e atletas estrangeiros (e fica aqui minha homenagem à Força Nacional, que se fez discreta e presente nas medidas certas e deu a tranquilidade que o Brasil precisava para mais esse evento). O que interessa é que deu certo.

E deu certo desde o primeiro minuto: A cerimônia de abertura, na qual gastou-se com parcimônia, deslumbrou o planeta. Mostrou o verde, a história, a Gisele. As delegações chegaram imponentes, lideradas por bicicletas (poisé, não esqueceram da Dilma nem durante a Copa, gente…), alegres, bonitos, os atletas que representavam o melhor que o mundo tinha a oferecer, os jovens de todo o planeta concentrados e prontos a ir além, fazer mais: mais rápido, mais forte, melhor.

Alguns probleminhas na Vila Olímpica? Sim. Alguns celulares roubados? Sim. A água das piscinas ficou meio verde por uns dois dias? Sim. Mas nada que apague o brilho dos eventos desses 16 dias. O que vimos foi lindo. Assistimos fascinados a esses atletas altamente treinados batendo recordes – mundiais, olímpicos ou pessoais. Se superarem. A dor, a determinação e o choro – de tristeza, alívio ou alegria – foram nossos companheiros constantes, assim como são desses atletas por toda a sua vida. Mas faz parte. Faz parte da conquista. Faz parte da vitória.

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E os nossos meninos e meninas? Se superaram. Comecei a chorar junto com Diego Hypolito e só consegui parar horas depois que Serginho colocou a camisa na quadra. Rafaela, a menina que foi humilhada tornou-se exaltada. Thiago Braz, aquele que ninguém esperava. A primeira medalha de ouro no nosso boxe, que Robson Conceição trouxe para abrilhantar o esporte. E o dia das duplas de ouro? Martine Grael e Kahena Kunze, filhotes que honram a raça, impediram que a vela nos deixasse de mãos vazias e mais: foram ao topo do pódio. Que orgulho pro papai Torben! E falando em orgulho… o que dizer de Alison e Bruno Schmidt? Gigantes… apenas isso! O futebol conseguiu finalmente o ouro inédito… e o vôlei… o vôlei emocionou todo mundo que tem um coração no peito. Felipe Wu… eu nem te conhecia, juro! Garanto que não esqueço mais seu nome! A ginástica também trouxe o Nori – meu encanto nessas Olimpíadas, o sorriso largo, a simpatia – e aquela medalha linda! E Zanetti, claro, não há como esquecer Zanetti! Agatha e Barbara mandaram muito bem na praia, assim como a Poliana Okimoto, nossa única medalha na natação – valeu ouro! Mayra Aguiar, Rafael Silva e Maicon de Andrade mostraram que também temos artes marciais, sim, e o que dizer do fenômeno Isaquias Queiroz? Sozinho duas medalhas mais uma com o fiel companheiro Erlon Silva… que deleite!

Foram dezenove medalhas. Dezenove momentos de felicidade, a melhor participação do Brasil em Jogos Olímpicos de toda a história. Mas não apenas as medalhas contam. Aqueles que não ganharam também ficarão na nossa memória. Quem poderá esquecer de atletas como as meninas do futebol, mais uma vez batendo na trave e não conseguindo o tão merecido ouro? Ou das guerreiras Talita e Larissa no vôlei de praia. Ou de Fabiana Murer? Eles não vão ser esquecidos. Não por nós… não pelo futuro… não pela história. Porque por mais difícil que seja acreditar nisso nesse momento, o importante é mesmo competir.

E importante mesmo é o legado que fica. Não estou falando dos prédios não. Nem da grana que os estrangeiros deixaram no Rio – e que deve ter sido alta – e nem mesmo do impacto positivo que tudo teve para o Brasil em termos internacionais. Estou falado do legado aqui em casa. Estou falando dos muitos Serginhos que nasceram ontem. Ou dos Isaquias. Ou das Agathas e Barbaras, ou Martas, ou Zanettis… Estou falando das nossas crianças. Elas que acompanharam de perto, que sentiram a emoção das Olimpíadas. Elas que observaram com os olhinhos brilhando cada uma das modalidades, que se encantaram com a ginástica olímpica, com o tiro, com a canoagem, com o tênis, com o badminton, o handebol. Que conheceram Bolt, Phelps, Simone Biles… todos esses que pareciam tão distantes e são, na verdade, tão humanos. Não somos mais o país do futebol. Somos o país do esporte! Agora não vamos só ouvir ‘mãe, quero jogar futebol’. Vamos, sim, ouvir ‘mãe, me coloca na ginástica?’. Ou ‘quero uma raquete de tênis de Natal’.

Nossos atletas foram ouro, prata e bronze. Nós? O Brasil foi platina. Vencemos essa Olimpíada. Vencemos a recessão, vencemos a criminalidade, vencemos a desconfiança dos outros países, vencemos o impeachment em curso (inclusive fica aqui minha admiração e reconhecimento ao Presidente Interino Michel Temer, que soube se manter afastado sabendo que qualquer intrusão acabaria manchando o momento, que a política não teria lugar nesse momento Olímpico). Vencemos até a mentira maldosa e estúpida de um atleta que, na falta de medalhas, levou uma história mal contada paraRio_Paralympics_2016 casa.

E a festa de encerramento? Rosa Magalhães soube o que fazia. Protocolo? Sim. Até certo ponto. Mas esses atletas são, em sua maioria, garotos. Eles treinam o ano todo. Abrem mão de amigos, baladas, farras… tudo para chegar ao ápice. Ela deu a esses garotos uma festa. Sem o peso da responsabilidade, sem o peso da expectativa, o que vimos foram garotos. Em uma festa. O Maracanã virou uma gigantesca balada e impressionou o mundo.

Nós impressionamos o mundo.

E tudo graças a esses atletas. A essas pessoas que abrem mão de tudo para tornar-se mais rápidos, mais fortes, melhores.

Obrigada a todos. Cada brasileiro, cada um de nós, graças a vocês teve a oportunidade de viver algo único, de aprender, de tornar-se melhor.

As Olimpiadas do Rio foram lindas. E vão deixar saudade. Não só no Brasil – no mundo todo.

E vamo que vamo que quinta feira tem impeachment.

E depois tem Paralimpiadas!

E a vida continua!

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