E Agora José? A Delação do Fim do Mundo Chegou

E como chegou

Chegou destruindo tudo, arrasando tudo, como uma enchente, um vulcão, um terremoto, limpando tudo em seu rastro.

Chegou levando a credibilidade, a confiabilidade, a esperança do povo brasileiro.

Chegou fazendo ver o que já se sabia mas se recusava a acreditar: dentre todos aqueles deputados e senadores, dentre todos aqueles ministros, políticos, assessores, diplomatas, com as honrosas exceções que confirmam a regra, NINGUÉM PRESTA.

E é ninguém mesmo.

O PT já tinha ido. O PP tinha ido com ele. A Rede nunca foi coisa nenhuma. O PSDB estava indo e agora foi de vez, o PMDB já era. O Centrão está até as orelhas no meio de tudo isso e a esquerda já devia ter caído com o PT – só não avisaram antes.

A pesquisa de opinião mostra que mais de 60% dos brasileiros quer que Temer renuncie. Como sempre, nosso povo fala alto, mas não faz sentido. Temer renuncia e daí o que dá? Estamos nas mãos de Rodrigo Maia! Grande mudança huh? “Melhor se fossem eleições”. Sim… eleições. As pesquisas apontam que… LULA seria eleito. Muito melhor,  certo?

Ah e se Temer for afastado no ano que vem.. eleições indiretas. Houve um raio de esperança dentro de mim ao ouvir isso, pois havia rumores sobre um acordão que levaria ao poder o ex presidente Fernando Henrique Cardoso – esse sim, com experiência de tirar o país do buraco, certo? Errado. Além de citado na delação do fim do mundo, Fernando Henrique recentemente em uma entrevista para a Globo News deixou claro que não admite a possibilidade de ver Lula preso – e acha que a Lava Jato deve ser ‘controlada’.

Bom, aí vamos ver… parlamentarismo? Com esse parlamento? Vocês devem estar brincando né?

Golpe militar? ERRADO. Nem mesmo os militares querem meter a mão nessa cumbuca, como já deixou claro seu representante um ou dois dias atrás.

Parece que não nos sobrou muito…. ou sobrou?

Onde será que anda a família real de Orleans e Bragança, me pergunto? (provavelmente fugida do país, de medo que sobre pra ela).

Estamos ficando sem alternativas.

E agora, José?

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

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