As Manobras para Deter a Lava Jato

Se você é desses que vivem gritando palavras de ordem contra a Rede Globo, acha que a Globo Mente e é golpista, pode parar de ler por aqui. Porque esse artigo é baseado em uma reportagem do Fantástico exibida nesse domingo, dia 10, que mostra o que nós não vemos: as manobras para deter a Operação Lava Jato antes que Moro e sua equipe possam fazer – mais – estragos nos corruptos.

Uma dessas manobras consiste em um projeto de lei do Deputado Wadih Damous, do PT (em tempo, Wadih Damous é o deputado que fez ameaças em pleno Congresso Nacional, dizendo que se acontecesse o impeachment de Dilma o país iria cair em “barbárie social”, como contamos aqui), que visa acabar com as Delações Premiadas dos suspeitos que estiverem presos. A alegação é de que a prisão afetaria psicologicamente os suspeitos, tornando as delações similares àquelas que tivessem sido obtidas à força, por coação.

Ora, pois se o suspeito estiver livre, andando na rua, por que cargas d’água se sujeitaria a confessar? O próprio princípio da Delação Premiada consiste em o suspeito fazer uma troca de sua colaboração por uma certa leniência na pena. Se não está preso, vai confessar por que? Para ir preso?

O sr Wadih Damous deixa aí bem claro o verdadeiro objetivo desse projeto: evitar que mais réus sintam-se propensos a fazer delações que implicarão ainda mais o PT, partido campeão da corrupção na Lava Jato, e os caciques do partido, incluindo a PresidAnta da República. O PT tem pressa. A cada dia que passa mais sujeira aparece, e cada nova delação que aparece empurra Dilma mais para a beira do poço.

Outro projeto de lei do digníssimo – #sqn – sr Wadih Damous ataca uma vitória recém conquistada da justiça brasileira: o STF recentemente determinou que um réu condenado em segunda instância poderá recorrer – mas preso. Anteriormente, os réus só poderiam ser presos após esgotarem-se todos os recursos disponíveis, o que no Brasil pode levar o absurdo de até 30 anos – o que faria com que o crime prescrevesse e o bandido ficasse é solto. No momento, o réu vai recorrer depois de preso. Isso já está dando bons frutos, como a diminuição dos recursos que tem apenas caráter protelatório e tornaram-se inúteis e a prisão, por exemplo, de Luis Estevão, condenado em 2003 e que ainda estava em liberdade, recorrendo sempre. O projeto de Wadih Damous diz que o que o Supremo fez foi mudar a Constituição, e que o STF não tem competência pra isso, portanto que tudo deve voltar ao que era antes – o solidário deputado deve estar pensando no patrãozinho Lula, assegurando-se que ele possa recorrer em liberdade até ficar bem velhinho…..

A combinação desses dois projetos de lei, se aprovados, provará fatal para a Operação Lava Jato. Incapaz de se utilizar de delações e de punir os culpados, a Policia Federal ver-se-á de mãos atadas e tremendamente limitada, a exemplo do que ocorreu com a Operação Mãos Limpas na Itália, que inspirou Sergio Moro. Na Itália, como aqui, logo que os grandes sentiram-se encurralados começaram a surgir – também como aqui – acusações de abusos e – como aqui – projetos de lei para limitar os poderes da polícia.

Resta saber se aqui, como lá, os corruptos acabarão vencendo e a operação será engavetada.

Falem o que quiserem, mas agradeço à Globo por expor essas tramas que correm ocultas nos bastidores: se o povo brasileiro não reagir a pessoas e atitudes como as do deputado Wadih, não poderá dizer que foi por não saber…..

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