Anjo da Guarda + Elfo – ou Como a Elisabete Salvou meu Natal

Está chegando o Natal.

Como muitos brasileiros, eu também gosto de comer coisas boas e dar presentes de Natal.

Mas esse ano, se não fosse pela Elisabete, não ia ser um Natal muito feliz.

O caso é que, também como muitos brasileiros, costumo fazer minhas compras de Natal através da internet. É mais fácil, mais prático e mais barato. Além de ter muito mais variedade e opções. A internet representa um enorme volume das compras de datas especiais como Dia das Mães, dos Pais, Black Friday e Natal. É uma evolução, e completamente segura porque afinal o Brasil tem um dos melhores sistemas de correio do planeta. Certo?

Errado.

Não é segredo para ninguém que todo o país está passando por mudanças. Algumas pra melhor. Mas no caso dos Correios, tivemos uma perda gigantesca. Com o plano de demissões voluntárias criado pela entidade, diminui-se enormemente o contingente de funcionários. Isso é bom, economiza. O caso é que não diminuiu onde devia ter diminuido. Assim como na União, os cortes são mal feitos e mal orientados e, em vez de demitir executivos e ‘povo de cima’, onde se localizam os maiores salários (e os apadrinhados políticos), demitiu-se embaixo. Os carteiros. Os funcionários das agências.

Resultado: Black Friday + Natal – Funcionários = desastre.

As compras que fiz na primeira semana de dezembro, acreditando que chegariam sem o menor problema até o dia 25 (o PAC, modalidade mais barata de envio, informa até 7 no maximo 10 dias para entrega) ficaram ‘passeando’ na Central de Distribuição de Santos por 18 dias. Sim, 18 dias.

No dia 19 de dezembro, já em pânico pela falta de entrega das preciosidades, dediquei-me a tentar telefonar para a tal Central de Distribuição – já que eles não entregavam, eu iria buscar então! Para minha surpresa, fui informada que a Central de Distribuição ‘não tem atendimento ao público’. Fui aconselhada a telefonar para a agência dos correios mais próxima.

Foi aí que a minha sorte mudou. Quando eu estava quase conformada e morta de tristeza de não dar os presentes de Natal, um anjinho chamado Elisabete atendeu o telefone na agência dos correios. E a Elisabete, em vez de ser uma funcionária irritada, cansada, estressada e sobrecarregada como seria totalmente lógico, em vez de reagir de saco cheio com mais um cliente perguntando de encomendas – coisa que ela provavelmente ouviu umas 200x por dia na ultima semana – a Elisabete foi de uma compreensão e uma gentileza totalmente inumanas. Delicadamente eu expliquei o meu problema – vários pacotes parados lá na Central de Distribuição, e que passariam o Natal por lá, pois ninguém se dignava a entregar – e ela delicadamente me explicou a situação. Talvez com pena, perguntou os números de rastreamento de todas as encomendas… anotou todos… e disse que voltaria a me ligar.

Pra fazer uma longa história curta, a Central de Distribuição, incapaz de fazer a separação das encomendas por causa da sobrecarga de trabalho e falta de pessoal, enviava pallets com os pacotes para as agências. E lá eles ficavam, sendo separados à medida do possível. Esse anjo chamado Elisabete mergulhou em meio aos pallets  e dois dias depois me ligou, avisando que eu poderia ir buscar quatro das minhas encomendas que foram encontradas!

Fiquei eufórica. Pelo menos alguns dos meus presentes estavam salvos! Programei tudo para ir buscar as encomendas hoje (22/12) no final da tarde… quando não foi minha surpresa que a Elisabete, ainda mais uma vez, me telefonou, perguntando se eu preferia que o entregador viesse trazer!

E assim foi. E graças a essa fadinha que trabalha nos correios, graças a uma pessoa que não ficou irritada, que não se importou em atender e tentar ajudar una pessoa que ela nem conhecia, os meus presentes – a maioria deles – estão sãos e salvos e prontinhos pra serem embrulhados.

Incrível? Sim. Tocante? Sim. Surpreendente? Sim.

Elisabete, aquela que eu nunca vi, com quem nunca tinha falado, que não tinha nenhuma obrigação de me ajudar em nada – Elisabete me mostrou o que é o espírito de Natal… e que podemos fazer as coisas melhores para os outros se apenas nos esforçarmos um pouquinho.

Que Papai Noel seja muito bom pra Elisabete. Que o ano que desponta seja muito feliz pra ela. Que sua jovialidade, cordialidade e bondade sejam recompensadas por alguém lá de cima – porque seus superiores nos Correios certamente não se dignam a prestar atenção a essas coisas.

Saiba, Elisabete, que nessa noite de Natal,  enquanto a pessoas abrem seus presentes, vou estar do fundo do meu coraçãozinho desejando uma noite muito feliz para você e os seus… e que você me deu o maior presente de todos: renovou minha fé no ser humano.

Vamos bater palmas aí quem acreditar em fadas?

 

 

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