Acabou – ou será que não?

Dilma Vana Roussef foi removida do seu cargo de presidente da república do Brasil. Michel Temer prestou juramento de honrar e respeitar a Constituição Federal e foi empossado na Presidência.

Acabou.

Ou será que não?

Diferente do que a maioria imaginava – que o final desse julgamento colocaria um ponto final em todo o drama partidário e possibilitaria que o Brasil tocasse o barco pra frente, se recuperasse da crise e voltasse a crescer  – o caos ainda se instaura. Tudo culpa de um certo acordão que teria sido firmado entre a esquerda e o PMDB.

Para quem não assistiu ao ato final do julgamento, tudo começou quando Lewandowski leu um pedido do PT para ‘fatiar’ a votação. Os deputados votariam primeiro pela culpabilidade ou não de Dilma – removendo-a da presidência – e em seguida pela perda ou não de seus direitos políticos.

Ora, uma proposta louca, sendo que a perda dos direitos políticos por oito anos faz parte da sentença, vinculada a essa e nem mesmo Collor, renunciando horas antes do seu impeachment, conseguiu escapar dela. Totalmente impensável, certo?

Errado.

Lewandowski fez um discurso de uma hora e aprovou esse desmembramento.

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Assim sendo, a sra Dilma Vana Roussef foi destituída de seu cargo por 61 votos a 20, mas por 42 a 36 manteve seus direitos políticos (segundo a invencionice de Lewandowski, seria necessária a maioria absoluta, 2/3 dos senadores, para que ela os perdesse).

Isso causou o caos entre a base aliada do Governo Temer.

Partidos como o PSDB ficaram atônitos ao notar que partes do PMDB haviam, aparentemente, costurado um acordo com as esquerdas para que isso acontecesse. Como saber? Simples. O maior defensor de que Dilma mantivesse seus direitos políticos foi quem? Renan Calheiros. Após a sessão a senadora Katia Abreu disse à imprensa com todas as letras que o acordo foi costurado entre Renan Calheiros e a esquerda no dia anterior e ela teria sido a emissária.

Após a votação, aliados como Ronaldo Caiado ‘desembarcaram’ do governo e anunciaram-se como independentes. O PSDB anunciou que entraria junto ao STF com uma ação para invalidar essa decisão, sendo que ela seria inconstitucional. O povo que apoiava Temer também se vê aturdido e sem saber o que pensar frente ao ocorrido. Michel Temer contatou o PSDB e disse que os apoiaria na ação, entraria junto com eles.

Não bastasse todo esse caos, durante a posse de Michel Temer o microfone fica aberto durante o cumprimento de Renan Calheiros ao novo presidente, e pode-se ouvir claramente – “tamo junto”.

Fica a pergunta: será que Temer não estava mesmo a par desse acordo?

E se sabia? Qual o significado disso?

E por que o PSDB decidiu de repente desistir de entrar com o tal processo?

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O fato é que isso não deve mudar a situação de Dilma

Independente do discurso que fez logo após ser notificada de sua deposição – um discurso que foi tido pela imprensa como uma ‘declaração de guerra’ – Dilma Roussef não terá vida fácil se decidir concorrer novamente. Para habilitar-se a qualquer cargo eletivo, Dilma terá que passar pela lei da ficha limpa. Independente do fato de que seus aliados afirmam que ‘a lei da ficha limpa só se aplica a prefeitos e governadores’, pode-se esperar com certeza que ela seja bloqueada e impedida de concorrer.

Além disso, podemos ainda relembrar que a popularidade de Dilma estava abaixo de 10% quando ela foi afastada da presidência. É totalmente inconcebível que se imagine que Dilma possa concorrer e ganhar a qualquer coisa – como afirmou o digníssimo senador Magno Malta durante os trabalhos, não ganha nem pra síndica do condomínio!

michel-temer-400x300Com o que temos que nos preocupar então?

Com todo o resto. Temer vai para o Japão agora. Viagem importante. Vai com certeza trazer resultados para nossa combalida economia. Enquanto isso os problemas ficam aqui esperando: Um PT em pé de guerra, levando junto Rede e PCdoB. A crise dos aliados que agora se instaura por causa da manutenção dos direitos políticos de Dilma. Os países bolivarianos, que vão tomar as dores da esquerda e criar um monte de problemas para o governo brasileiro. A reforma da previdência. As privatizações. O Eduardo Cunha

Eduardo Cunha? Sim. Afinal se Dilma manteve seus direitos políticos por que ele não manteria? Será que ninguém pensou nisso enquanto estava protegendo a Dilma? O Cunha vai se privilegiar disso também. Bando de tonto…

Sabe o que isso significa?

Que o Cabeça da Jararaca vai ter uma looooonga e ocupada vida.

Bem vindos e não se façam de rogados para comentar!

 

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